#Resenha: OUT OF BOUNDS de R.S. Grey

OUT OF BOUNDS by R.S. Grey

Eu desprezo Erik Winter.

Ele é arrogante e cruel — um homem que eu não desejaria ao meu pior inimigo — e por alguma reviravolta do destino, ele é meu novo treinador de ginástica olímpica.

Eu tive que lidar com treinadores rudes no passado, mas Erik é muito pior. Seu comportamento severo complementa um corpo construído para a intimidação, e suas reprimendas vêm de uma boca tão astuta, que sei que poderia despir-me de minhas defesas —- se eu deixasse.

Embora cada um de nós gostaria de se livrar do outro para sempre, estamos ligados um ao outro por necessidade e exigência. Eu sou sua estrela em ascensão, sua melhor chance de provar para seus críticos. E sem um treinador, não tenho nenhuma chance de ganhar ouro no Rio.

A maneira mais fácil de seguir adiante seria acenar uma bandeira branca e fazer as pazes com o homem que estarei acompanhando de perto num futuro previsível, mas ele tem intenção de guerra.

Por. Mim. Tudo. Bem.

Se ele me empurra, eu vou empurrar de volta com mais força. Se ele quer me testar, mexer com a minha cabeça, eu vou lhe mostrar quantas fronteiras estou disposta a atravessar. Porque eu sei que não é uma escolha entre ganhar ou guerrear —- não se você pode ter ambos. Ao final de tudo isso, eu planejo sair do Rio com ouro em volta do meu pescoço e seu coração gelado na palma da minha mão.

Título: OUT OF BOUNDS
Autora: R.S. Grey
Editora: R.S. Grey
Lançamento: 01 Ago 2016
Formato: eArc
Páginas: 442
Gêneros: Contemporâneo, Romance, Erótico

Erik foi campeão mundial de ginástica pelos Estados Unidos, mas encerrou sua promissora carreira de atleta logo após ter passado nas eliminatórias para as Olimpíadas. A imprensa, alimentada pelo depoimento de seu pai e técnico da equipe, rotulou-o como rebelde e irresponsável na época, sem desconfiar dos reais motivos que o levaram a desistir.

Erik brigou com o pai e mudou-se do Texas para Seattle, onde inaugurou sua própria academia anos depois. Quando seu pai é internado às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio, Erik é convidado a assumir como técnico da equipe de ginástica feminina. É uma oportunidade de limpar seu nome — ou de afundá-lo na lama de vez.

Converter uma equipe de pouco êxito tão perto das Olimpíadas era basicamente uma tarefa impossível e me fez suspeitar de que eu não era um salvador para a Associação de Ginástica dos Estados Unidos e sim um cordeiro sacrificial. Qualquer falha durante os jogos serviria apenas para reforçar os céticos.

Aos 20 anos, Brie é promessa de medalha nos Jogos Olímpicos e, assim como Erik, ela está sentindo a pressão. Brie quer recompensar todo sacrifício de sua mãe e proporcionar uma vida mais confortável para ambas, mas para isso precisa garantir o ouro no Rio.

Eu tive um dia terrível no ginásio e não conseguia identificar de onde o estresse estava vindo: Erik ou os Jogos Olímpicos. A maioria das garotas da minha equipe eram veteranas. Era a segunda vez que competiam nos jogos e elas sabiam como lidar com a pressão. Rosie e eu éramos as únicas estreantes, embora houvesse uma diferença gritante: Rosie era jovem. Ela tinha pelo menos mais uma Olimpíada para competir depois do Rio, mas para mim, era isso. Aos vinte anos, meu corpo estava no seu auge, mas também estava cansado. […] A pressão de ter uma chance para mudar minha vida cresceu até o ponto de ser demais para suportar por vezes.

Erik hospeda as ginastas em casa e impõe alguns limites, mas Brie o desafia desde o início. Ele reage ora com rigor, ora com indiferença, mas no fundo sente admiração pela jovem.

Ela era uma bomba-relógio ao meu redor e, mais uma vez, tinha acendido meu fusível também. Jogar com Brie estava se tornando rapidamente meu passatempo favorito e uma parte de mim se perguntava por que eu estava fazendo isso. Sim, ela era desrespeitosa e me respondia constantemente durante a prática, mas ela não era a primeira garota cabeça dura a ser acusada disso na minha academia. Não, eu estava gostando um pouco demais de sua punição. A maioria dos treinadores teria ignorado a insubordinação em vez de se envolver, se distanciariam do problema até que se resolvesse pacificamente. A maioria dos treinadores teria ficado em segurança atrás de uma fachada profissional, mas infelizmente para ela, eu não era a maioria dos treinadores.

Brie e Erik têm temperamentos parecidos, apesar dos 9 anos de diferença na idade. São teimosos, orgulhosos e explosivos.

Ela provavelmente estava acostumada a testar sua maturidade e confiança recém-descoberta com garotos hesitantes mais próximos de sua idade, mas a lição a ser aprendida era que, ao contrário dos garotos que são intimidados pela ousadia feminina, homens como eu são inflamados por ela.

A relação do técnico e sua principal atleta é volátil, e a química entre eles inflamável. Eles não devem se envolver ou podem prejudicar suas carreiras, mas a atração é mais forte do que a razão.

Eu estava brincando com fogo, não, eu não estava apenas brincando com fogo, eu estava rolando nele. Eu estava tão confiante de que não me queimaria que não percebi o quão profundamente eu tinha caído nas chamas. […] Provocá-lo me entretinha. Em dias normais, ele era a imagem do estoicismo, mas quando eu o irritava, seus olhos azuis brilhantes ardiam. Sua mandíbula forte travava. Seus músculos contraíam de raiva e eu adorava. Eu queria isso. Era a única vez que eu obtinha uma emoção real dele, e mesmo que fosse ódio, era melhor do que nada.

Brie tira Erik da zona de conforto, enquanto ele evoca fantasias que ela desconhecia até o momento. E o que começa como um jogo para ver quem cede primeiro, se transforma em algo real e intenso.

Era fácil culpar Erik pela escuridão que sentia quando estava perto dele, mas minhas fantasias eram totalmente minhas. Ele não estava envenenando a fonte; ele estava extraindo dela. Às vezes, eu me perguntava se ele me conhecia melhor do que eu. Parecia que ele tinha aberto meu peito ao meio e tirado meu coração, para vê-lo bater para ele — só ele.

Ao contrário do instalove que assola o gênero erótico e new adult, esse é um romance de desenvolvimento lento, onde a tensão entre os protagonistas pouco a pouco cede espaço para a paixão. Brie e Erik encontram-se em uma posição difícil e a história deles não poderia acontecer de outra forma. Eles devem se concentrar na competição, mas não é fácil manter a fachada profissional ao mesmo tempo em que estão se apaixonando.

Ele e eu não deveríamos nos apaixonar. Tínhamos estado em guerra, lutando e empurrando um ao outro porque era uma distração divertida, porque eu gostava de obter uma reação dele, e porque eu não conseguia evitar. Era o tipo mais chocante de amor que eu já tinha experimentado, o tipo que se esconde atrás da outra extremidade — ódio. Eu tinha concentrado muito da minha energia em odiar Erik que quando o amor apareceu do nada, ele tirou meu fôlego.

Mais que o romance proibido entre técnico e atleta, a autora retrata a vida muitas vezes solitária desses profissionais. Os treinos pesados, as lesões, o abuso de medicamentos, e todo o cenário das Olimpíadas foram bem executados. Brie e Erik têm dificuldade para expressar suas emoções e confiar nos outros devido ao ambiente ultra-competitivo, e os desentendimentos são constantes entre eles.

Eu tinha descido para encontrar Erik para que eu pudesse me render, e eu fiz isso. Eu tinha entregue minha espada e armadura, e, em troca, ele me apunhalou direto no peito. Era uma emboscada.

OUT OF BOUNDS é mais intenso e explícito do que o primeiro livro da série Summer Games, mas o bom humor, marca registrada de R.S. Grey, continua presente. A narrativa em 1ª pessoa alterna entre os pontos de vista de Erik e Brie, e eu adorei o bate-volta de provocações entre os protagonistas. Mas o que eu mais gosto em seus livros são as heroínas atrevidas, e Brie não decepciona! As demais atletas da equipe também são interessantes, cada uma a sua maneira, e o herói, uma delícia 😉

Eu nunca fui o tipo de homem romântico. Eu disse essas três palavras para apenas duas mulheres na minha vida, uma delas era minha mãe, a outra uma mulher que eu tinha namorado por anos antes mesmo de considerar dizê-las. Brie era diferente. Brie não era uma mulher que tentaria se encaixar em qualquer molde que eu considerasse ideal para uma parceira; ela era a mulher que quebrou esse molde e me fez sentir a emoção do amor juvenil de novo — o tipo de amor que você nunca sabe o que esperar em seguida e não pode esperar para descobrir.

Recomendo a todos os leitores que curtem um romance menos açucarado e personagens femininas que não se encaixam no arquétipo da donzela virgem. E para quem gosta de romances esportivos, não deixe de ler os demais livros da autora, uma expert no gênero 🙂

*Anúncio: R.S. Grey enviou-me esse livro como cortesia para resenha. Isso em nada afetou a minha opinião sobre o livro, ou o conteúdo de minha análise.

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